Dois meses se passaram desde o último encontro. Cláudio tentava conciliar seu trabalho como publicitário com seu desejo de se reconciliar com Carol. Apesar da traição, desistir dela seria como trair a si próprio; abrindo mão do que sentia. Por outro lado e do outro lado da “cidade maravilhosa", Carol se apressava pra entregar os últimos trabalhos da faculdade de jornalismo. Por tudo o que passaram, não passava pela sua cabeça colocar um ponto final na relação. Porém tomar a iniciativa para começar um novo parágrafo parecia estar longe de suas pretensões. Pra ela, todo o fato que causou a briga havia acontecido por acaso e caso Cláudio já tivesse superado, eles podiam marcar um novo encontro. Incerto do que iria acontecer, Cláudio se dirigiu ao telefone. Todos os conselhos de parentes e amigos pareciam pressionar sua consciência e o aparelho de volta ao gancho. Impressionado com sua decisão, e mesmo que por impulso, ele ligou.
-- Alô?
-- Carol? Sou eu...
Os dez segundos seguintes de silêncio foram suficientes pra que os dois se lembrassem de todos os dez meses que passaram juntos.
-- Diga Cláudio.. Já estou atrasada pra aula.
-- Preciso te ver! Sei que ainda há algumas coisas mal resolvidas entre a gente. Não adianta, por mais que você queira evitar, o mundo vai girando, girando e uma hora ele pára no mesmo lugar.
-- Não acho que seja assim. Pra mim há algumas coisas mal resolvidas com nós mesmos. Mesmo assim acho que será bom conversarmos. Amanhã às 21 está bom?
-- Combinado!
-- Até lá.
A atitude fria de Carol deixou Cláudio apreensivo. Apesar dos dois parecerem sentir a mesma coisa, eles transpareciam isso de formas diferentes. Ele, sempre centrado, analisava as situações e sem esperar nada em troca tendia sempre a se trocar por quem gostava. Apesar de ter uma visão de cima, nunca se colocava acima de ninguém. Ela, ultimamente menos egoísta. Estava certa que todo aquele seu ego excessivo era justamente o que faltava à Cláudio. Ironicamente, a única forma da relação seguir adiante, consistia no fato de Carol gostar um pouco menos de si e mais de Cláudio e ele gostar um pouco menos de Carol e mais de si. O mais importante naquele momento era cada um “se encontrar” antes de “se encontrarem”. Porém, o tempo não parecia ajudar e a partir daquele instante cada hora a mais era uma a menos pro novo encontro acontecer.

Carol nunca foi de colocar seus sentimentos em um plano superior. Talvez seu maior plano tenha sido sempre se colocar a frente de tudo. Isso causava uma lacuna enorme entre ela e Cláudio. O que para ela se traduzia como “amor próprio”, para ele se deduzia como “falta de atenção”. Diante das circunstâncias e como única forma de adiantar o que estava por vir, um novo encontro tornou-se inevitável. Carol se arrumou e mais ou menos uma hora depois os dois se sentaram no primeiro banco que apareceu para ter o que parecia ser uma última conversa. Para Carol era previamente imprevisível saber o que iria acontecer. Essa angustia fez com que ela tomasse logo as palavras.
-- Tudo que aconteceu não foi de propósito, ou pelo menos com o propósito de te magoar.
-- Como?
-- Isso mesmo! Não tive intenção de te machucar.
-- Mas as suas intenções com aquela pessoa me machucaram. Portanto, mesmo indiretamente você teve intenção sim.
-- Você nunca vai entender Cláudio.. Você não consegue separar as coisas. Se primeiro tentasse me entender, talvez agora conseguisse perceber que não havia má intenção.
-- Talvez você tenha razão. Mal intencionado sou eu por querer manter uma relação com você.
O tom irônico de Cláudio fez diminuir o ritmo da conversa. Aquele sentimento de amor e ódio que ele demonstrava provocou em Carol uma sensação atípica. As lágrimas que escorriam de seu rosto pareciam correr de encontro ao peito de Cláudio. Ela queria mas não conseguia dizer mais nada. Se o fato de sentir aquelas emoções já era inesperado; explicá-las tornou-se inimaginável. Em meio a tudo isso, Carol decidiu rever sua posição de sempre se colocar a frente de tudo e o que aconteceria dali pra frente dependia diretamente da repercussão que isso teria entre os dois.

Enquanto o mundo lá fora girava, Cláudio revia a posição de ter colocado sua relação com Carol como seu “outro mundo”. Este agora parecia parar. Ninguém reparava ou parava pra pensar no quanto aquilo era importante pra ele. Nem mesmo Carol tinha a noção exata daquilo tudo. Diante de todas as circunstâncias e como única forma de levar a relação adiante, um novo encontro tornou-se inevitável. Meia hora mais tarde os dois se encontraram e sentaram no primeiro banco que apareceu para ter o que parecia ser uma última conversa. Cláudio sabia ser previamente visível o que estava pra acontecer e por isso esperou Carol se manifestar.
-- Tudo que aconteceu não foi de propósito, ou pelo menos com o propósito de te magoar.
-- Como?
-- Isso mesmo! Não tive intenção de te machucar.
-- Mas as suas intenções com aquela pessoa me machucaram. Portanto, mesmo indiretamente você teve intenção sim.
-- Você nunca vai entender Cláudio.. Você não consegue separar as coisas. Se primeiro tentasse me entender, talvez agora conseguisse perceber que não havia má intenção.
-- Talvez você tenha razão. Mal intencionado sou eu por querer manter uma relação com você.
O tom irônico de Cláudio fez diminuir o ritmo da conversa. Aqueles períodos de silêncio o fizeram relembrar que Carol dificilmente demonstrava suas emoções. Por isso, duvidava daquela cena e se questionava se as lágrimas dela não estavam apenas caindo em contradição. Isso tudo deixou Cláudio muito confuso. Mesmo vendo seu coração partido ele esperava reparti-lo com Carol. Mas o que era pra ser dividido, foi partido novamente e o que aconteceria dali pra frente dependia diretamente da recomposição de tudo que havia se espalhado ente os dois.

Ao começar a trabalhar acredito que deixamos de fazer parte da “geração do futuro” para nos juntarmos a “geração do presente”. Porém, esta ainda está contaminada por gerações passadas que, como de costume, não se acostumam com o que há de novo e insistem em relembrar o que não volta mais. Por isso e em meio a tudo isso, mesmo aos vinte e três anos, me sinto apto a usar a boa e velha expressão saudosista “no meu tempo”.
No meu tempo, havia tempo pra tudo e pra todos que não tinham hora marcada. Marcante era o que acontecia sem hora certa pra se prever.
No meu tempo, o mais interessante em ganhar um presente era o fato do amigo ter de se fazer presente pra que isso acontecesse. A lembrança material era esquecida em no máximo uma semana. A do amigo não me esqueço até hoje.
No meu tempo, corria pra rua, me machucava, recorria aos cuidados de minha avó, voltava pra rua, voltava a me machucar.. Na verdade isso tudo só acontecia por eu ser o menor da turma. Isso me revoltava. Um dia houve uma reviravolta e eu cresci.
No meu tempo, o tempo não estava relacionado a pressão. Me impressiona lembrar de fatos, que agora só param no tempo, por antes terem passado tão rápidos.
Portanto, daqui pra frente, se o tempo for curto, vou encurtar minhas tristezas. Se for longo, vou prolongar minhas alegrias. E nesse meio tempo vou seguindo com a idéia de ter uma filha. Esperando que um dia o “seu” e o “meu” vire o “nosso” tempo. E que este dure pra sempre.

Sentir saudade é pre-sentir o encontro;
é me ver avontade
com a vontade de te ver.

Te ver é rever a beleza;
é ter pressa e esperar
o silêncio falar alto pra eu poder te elogiar.

Te elogiar é pleonasmo;
é pretensão pretender escrever
todas as virtudes descritas em você.

Descrevê-la é vê-la de mil formas;
é pretexto pra que o encontro não vire despedida
configurando assim o reencontro com a saudade antes sentida.

Maior tenista da atualidade e com todas as possibilidades de se tornar o melhor de todos os tempos (pelo menos em números) Roger Federer sem dúvida nasceu para jogar tênis. Além da dedicação e força de vontade para se manter a frente em um circuito tão desgastante, a questão genética é sem dúvida muito presente. “Apenas” esses dois fatores já fariam dele um campeão. Porém, para ser o melhor de todos os tempos percebo que há ainda, mais dois fatores (extra-ordinários) diretamente relacionados aos citados anteriormente. Primeiro o equilíbrio, que por mais que possa ser trabalhado, atinge seu nível máximo quando já nascemos com ele. É aquele que faz Federer não se exaltar demais ao ganhar os pontos mais difíceis e nem se cobrar demais ao perder os mais fáceis. Em segundo lugar está a sorte, esta por sua vez relacionada com a dedicação. A idéia é não esperar por ela e sim criar situações propícias pra que ela apareça. Quanto mais você se dedicar, assim como Federer, mais sorte você terá.

Ando muito desiludido com algumas questões ultimamente. Não posso esperar ou fingir ser o último a saber pra assim poder ser o último a fazer. Vejo pessoas se sujeitando a perder duas horas diárias de suas vidas para um dia ganharem a recompensa. Carreiras promissoras parecem ser opor a vidas promissoras . Cooperação e competição agora se confundem (viraram sinônimos). O dinheiro sendo colocado a frente de quaisquer valores básicos transformando ambição em obsessão. Vôos que partem e chegam no horário são comemorados com satisfação (mais uma exceção que um dia já foi regra). Honestidade, boa índole e caráter hoje são virtudes quando nunca deveriam ter deixado de ser premissa (mais uma regra que um dia se tornou exceção). Quando foi que tudo se inverteu? Responder essa pergunta é o primeiro passo pra que tudo seja revertido?
Portanto, e por tantos maus motivos, o mais coerente é terminar com:
Entretanto, e entre tantas outras saídas, cultive uma visão ecológica onde você é parte além de tudo, e faça a sua parte. Parte da minha foi ter escrito esse texto.

Após comprar o novo cd do engenheiros parei pra pensar porque algumas bandas são tão duradouras. Salvo exceções, dificilmente você encontra um grande “hit” dessas bandas. Daqueles que você ouve dez vezes seguidas e depois de uma hora ouve mais dez. Essas músicas são esquecidas com a mesma intensidade de que são lembradas. Quanto mais você consome alguma coisa vorazmente mais rápido sua vontade é consumida. Aí entra aquela questão da falta de equilíbrio, onde tudo que é muito intenso torna-se passageiro (mas isso já é tema pra outro texto). Voltando à música, a minha primeira impressão do cd foi de que ele não tem nenhum “hit” apesar de possuir alguns clássicos. Ao mesmo tempo em que nenhuma das músicas causa aquela sensação de “euforia”, também não deixam a desejar. E isso faz com que o desejo de ouvir novamente se renove de uma forma natural. Talvez esse seja o principal fator que separa bandas de momento e bandas atemporais.
Outra questão interessante é a que envolve “o teatro mágico”. O fato de não ser uma banda muito conhecida parece despertar um sentimento de posse dos fãs. A medida que ela conquista novos espectadores acaba perdendo outros exatamente por esse motivo (assim o paradoxo está formado). Acredito que o desejo do Fernando seja de levar a sua música para o maior número de pessoas possíveis e estas terem a oportunidade de se sentirem parte do espetáculo. Pra mim, raros são aqueles que se destacam na multidão. Que vêem no crescimento do número de fãs a possibilidade de se tornarem mais raros ainda. Como o próprio Anitelli diz “a idéia não é ser um em um milhão e sim um milhão em um”.

O meio é sempre melhor que o fim. Pois por mais que o fim seja bonito ele é sempre previsível. A graça não está em saber se as coisas vão acabar bem ou mal, mas sim quais os caminhos serão percorridos até que isso aconteça. É no meio que tudo dá certo e quando você está certo que acabará assim tudo muda. Ou que nada parece certo e quando aquela pessoa aparece tudo muda novamente.
Portanto é nessa imprevisibilidade que está a graça. As coisas se tornam mais especiais quando não esperamos por elas. Por isso acho que o mais bonito sempre está por vir e estou certo que não tenho a mínima idéia de como e quando isso acontecerá.

Tenho repensado o quanto penso em você
em quanto minha insegurança fez de tudo quase sempre tudo ou nada
quantas vezes te quis, mais do que nunca ou nunca mais
e no quanto me refiz pra fazê-la voltar atrás.

Não queria ter sentido todo o seu resentimento
sinto muito sua insensibilidade nesse momento
aqui acordado, des-esperando você aparecer
ou esperando, desesperado pra não te ver.

Sempre acreditei que nem sempre seria assim
será que por cuidar tanto de você passei a descuidar de mim?
a minha maior qualidade foi relevar os seus defeitos
o seu maior defeito foi relevar minhas qualidades.

Éramos indiferentes às nossas diferenças
éramos os mesmos, mesmo tão desiguais
éramos o outro em todas as ausências
éramos tudo e sobretudo não somos mais.

Criei esse blog por dois motivos: primeiro como motivação pra continuar escrevendo e segundo pra poder opinar sobre os mais diversos temas. A idéia é estar sempre em construção mesmo que construído esteja. O layout será simples e os textos geralmente curtos. De toda forma o objetivo será sempre o conteúdo.
Pra quem quando escrevia guardava o texto no fundo da mala, criar um blog é como participar do bbb :). Portanto, se é pra ter exposição que sejam das palavras, idéias, pensamentos. Apesar de “dar a cara pra bater” não ser bem a minha cara, resolví mudar, arriscar, reinventar.. Espero que gostem!