... O baile de formatura estava chegando, e com ele a chance dela dizer a Cláudio sobre sua possível partida.

O baile estava pra começar. Passava das 20:30 e Carol já havia terminado e recomeçado a se arrumar mais de cinco vezes. Ela estava ansiosa e insegura, assim como Cláudio sempre foi. E ele teimava em não aparecer. Tudo dava a entender que ele estivesse muito tranquilo e seguro, assim como ela sempre foi. A cena era trágica e cômica ao mesmo tempo. Como em uma peça de teatro onde os personagens tem seus papéis invertidos. 21:00: finalmente Cláudio chega (de taxi). Meio hora atrasado e muito nervoso, mal conseguia dizer que seu carro havia quebrado. Carol deu um leve sorriso e pensou: “é, nada de papéis invertidos, na nossa estória, Cláudio continua cumprindo o seu papel como sempre”. Mais 20 minutos e os dois já estavam dentro do salão. Depois do “quase” desencontro, Cláudio finalmente pôde parar e reparar no quanto Carol estava linda. Era difícil encontrar palavras que significassem algo além de deslumbrante pra ele. Realmente ficou deslumbrado com o que viu. Após os dois se sentarem, Cláudio viu o momento perfeito para levantar a questão mais importante da noite.
-- Recebí uma proposta no trabalho pra passar 3 meses em Paris fazendo um estágio na CE9, uma das melhores agências da Europa.
-- Nossa Cláudio! Não sei o que dizer! Ao mesmo tempo que será ótimo pra você, também pode ser péssimo pra nós dois.
-- Nisso que eu não paro de pensar. Seria uma espécie de “férias a trabalho” pra mim. Mas só consigo pensar em nós dois e no que aconteceria quando eu voltasse. Talvez seja melhor eu...
-- Eu vou com você!
-- Hãm?!
-- Isso mesmo Cláudio. Acabei de me formar e meu pai me prometeu uma viagem de presente. Eu vou com você!
Claro que a idéia de viajar para Carol continuou a mesma, porém os planos e os rumos agora eram outros. Ela percebeu que Cláudio ainda não havia conseguido mudar. Se dissesse a ele que pretendia ir para outro lugar era capaz de duas prováveis viagens se transformarem em uma dupla frustração, pois ele “abriria mão” de ir para a França, mas não “abriria mão” que ela não fosse para Itália e isso deixaria evidente que ele continuava o mesmo. Sem que ele soubesse, essa atitude demonstrava o quanto Carol estava conseguindo não se colocar sempre a frente das situações.
Já passava das 6 da manhã. O salão vazio parecia se encher com as esperanças e sonhos do casal. Aquela dança que começava, simbolizava bem a forma como nos últimos meses a relação havia balançado de um lado para o outro. As estrelas projetadas no chão voltaram a girar a medida que eles começaram a rodar. Naquele instante o mundo parou ao redor dos dois. Era como se dalí pra frente tudo e todos estivessem a espera do casal.

2 comentários:

Ricardo disse...

mto bom Leo, como sempre..
essa foi profunda: " Aquela dança que começava, simbolizava bem a forma como nos últimos meses a relação havia balançado de um lado para o outro."

agora, essa reflexao q eles tiveram no tempo separados mudou bem as atitudes.. sera q se eles nao fossem para os destinos originais, ele para a frança, ela para a italia, na volta nao daria um casamento?? heheh

abs

Robertinho disse...

Graaaaaande Léo!!!

Cara, mto bons os textos! Comecei a ler agora desde o primeiro, mto intrigante! Gostinho de quero mais, hehe!

Isso sem falar no estilo de escrever, brincando com as palavras.. Mto show!

Continue assim!
Abraços!!!