Como todos viram a estória acabou. Agora vou revisar cada post pra corrigir erros de pontuação, retirar o excessivo jogo de palavras (pro texto fluir melhor) e reconstruir alguns diálogos. Também preciso arrumar um título pra ela e nisso vocês podem me ajudar! Ultimamente só tenho conseguido pensar em títulos que lembram as novelas da Record (amigas e rivais, destinos cruzados). Preciso me livrar desse excesso de inspiração. Eu não pensava em escrever a estória. Só escrevi os dois primeiros posts, mas depois não conseguí mais parar. O roteiro foi sendo definido a medida que eu ia escrevendo e por isso foi muito importante todos os comentários de vocês. Agradeço muito a todos que fizeram isso (Rodrigo, Sérgio, Pati, Rapha, Lu, Si, Robertinho, Guedes..). Mesmo quem não acompanhou mas chegou a ler e se identificar com alguma parte também já acho muito válido. Agora eu tô de férias e o blog também. Volto a postar na semana do dia 14 de janeiro mais ou menos. Feliz natal e um ótimo ano novo pra vocês.


Download da estória "Sobre Viver"

Começa no post anterior.

E se Carol não tivesse conhecido uma pessoa como o Mateus? E se Roma não tivesse uma virada de ano tão iluminada como a de Paris? E se em todos esses casos tudo o que aconteceu não foi por acaso? Questionamentos e dúvidas se fundiam e conduziam os pensamentos de Carol. Um sentimento de plenitude pairava no ar junto com a leve brisa da praia de Copacabana. Enquanto caminhava em direção a Ana, ela tentava imaginar quais rumos sua vida tomaria depois daquele encontro. Por que aquela brisa não se transformava logo em vento para carregar todos os maus sentimentos que Ana guardava consigo? A praia, as pessoas sorrindo no calçadão, o sol e o ceú azul eram o retrato de Carol que se constrastava com a imagem de Ana naquela tarde. Ao contrário de Carol, ela esperava apreensiva, sentada de pernas cruzadas como se estivesse em um mundo paralelo. Carol chegou e com o semblante de quem não iria embora antes de esclarecer tudo começou a conversa.
-- Eu nunca fiz nada contra você Ana! Namorei o Mateus sem saber do caso de vocês. Sempre que estivemos juntas eu julguei serem sinceros e verdadeiros todos os momentos. Agora eu só fico me perguntando o porque. Por que você não me contou sobre o Mateus? Porque começou a se insinuar pro Cláudio? Você tem que me contar toda a verdade!
Ana permanecia imóvel e inabalável. Carol continuou:
-- Metade de tudo o que você fez e o que você é agora faz sentido pra mim. Chega a ser surpreendente mas ainda é pouco. Eu não vou te pressionar a falar nada, mas tenho certeza de que se você está escondendo alguma coisa essa vai ser uma pressão e um peso que você carregará pro resto da vida. A sua chance de se livrar disso é agora.
Ana foi mudando de postura e se curvando para baixo a medida que Carol colocava sua visão de cima da situação. Ela não suportou e falou em um tom de desespero:
-- Eu transei com o Cláudio no dia que voltamos de Paris! Depois do que aconteceu eu preferiria que você não soubesse, mas aconteceu!
Uma lágrima caída do olho esquerdo de Carol dizia metade do que ela sentia, a outra metade ela mesma falou:
-- Eu imaginei que isso pudesse ter acontecido. Não sei como você pode ser tão imatura e insensível. A forma como você julgou e agiu diante dos fatos foi de uma mediocridade incomparável. Realmente, boa índole e bom caráter são coisas que nascem com a gente e se fortalecem com o passar do tempo. Você não tem nenhuma delas e eu fico imaginado o quão vazia e sem perspectiva a sua vida deve ser por isso. Agora cada uma de nós vai seguir o seu caminho e eu não desejo o seu mal, mas a partir de hoje serei completamente indiferente a você.
Ana ficou sem palavras e sem saber o que fazer. Depois de assimilar o que aconteceu, Carol balançou e mais forte prosseguiu sobre todas as dificuldades. O mundo realmente parecia ter se alinhado ao sentido que ela seguia. Se inicialmente ela só pensava em se acertar com Cláudio, agora era como se finalmente ela tivesse na direção certa depois de tirar Ana do seu caminho. Ao mesmo tempo que suas mágoas desapareciam tão rapidamente quanto seus passos acelerados, suas lembranças traziam uma sensação de ganho a sua vida e seus olhos tinham um brilho intenso que demonstravam o quanto ela havia aprendido com tudo o que aconteceu. Se as estórias de amor sempre tem um final feliz, Carol começava a imaginar o quanto sua estória a fez aumentar dentro de si o amor que pode sentir e no quanto seria feliz começando uma nova estória com Mateus.

“20 de dezembro de 2007. Me lembro do dia que conheci o Cláudio. Era uma tarde comum de sábado e uma de minhas amigas o apresentou. Não sei explicar muito bem, mas depois de um certo tempo, talvez por me conhecer melhor, criei uma capacidade de logo no primeiro encontro saber se aquela pessoa pode ou não se tornar especial pra mim. Com o Cláudio foi assim, sabia que podia dar certo; por isso não pensei duas vezes e segui minha intuição. Há alguns momentos na vida em que não podemos parar muito pra pensar; temos que fazer o que achamos correto com muita intensidade e pensamento positivo. Fiz isso e deu certo. Começamos a namorar como qualquer outro casal acreditando que o amor se dá nas semelhanças. O tempo foi passando e fomos descobrindo que as paixões se dão nas semelhanças e que na verdade o amor se dá nas diferenças e em como convivemos com elas. A viagem para Paris foi a mais especial que já fiz. Cheguei sim a ter medo de como seria e me perguntei várias vezes se não estava cedendo demais pelo Cláudio. Não estava, e mesmo que estivesse, aquilo significava uma mudança particular e mesmo que a viagem não desse certo eu já tinha acertado em começar a deixar aquele egoísmo um pouco de lado. Voltamos ao Brasil e ele acabou ficando com a Ana. Não tenho muito o que comentar sobre ela. Tudo o que tinha pra falar foi dito no nosso último encontro. Hoje vejo que por mais dispostos que estejamos a não ferir alguém, também temos que estar dispostos a perdoar esse alguém caso ele nos fira. Naquela época eu não estava disposta a perdoar o Cláudio e acabou não sendo preciso. Ele se foi e deixou em mim um vazio que se preenche um pouco a medida que eu escrevo esse texto. Agora percebo que talvez ele não fosse o homem da minha vida, mas enquanto estivemos juntos eu acreditei plenamente nisso. Aprendi que o equilíbrio é importante em qualquer situação e que se você chegar ao ponto de morrer de amor por alguém é bem capaz que um dia você seja morta por esse amor. Agora mantenho sempre a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Considero a reciprocidade umas das coisas mais importantes da relação e é nela que está baseada meu namoro com o Mateus (realmente é difícil explicar o quanto é fácil nos entendermos). Temos um ao outro sem excessos nem faltas e assim do nosso jeito vamos seguindo sem nos compararmos e nem servindo de comparação pra ninguém.”

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... Alguns fatos começavam a se encaixar e ao mesmo tempo não faziam sentido nenhum que tivessem acontecido para Carol. Agora restavam apenas ela, Ana e entre as duas tudo que se passou até agora.

E se Carol não tivesse namorado Mateus? E se a viagem fosse pra Roma e não Paris? E se em todos esses casos o acaso tivesse sido mais amigo? Questionamentos e dúvidas se fundiam confundindo a cabeça de Carol. Um sentimento de perda e traição pairava no ar junto com a leve brisa da praia de Copacabana. Enquanto caminhava em direção a Ana, ela tentava imaginar quais rumos sua vida tomaria depois daquele encontro. Por que aquela brisa não se transformava logo em vento para carregar todos os maus sentimentos que ela guardava consigo? A praia, as pessoas sorrindo no calçadão, o sol e o céu azul eram o seu contraste naquela tarde. Ao contrário dela e de tudo o que as cercava, Ana esperava sentada no banco como se estivesse em um mundo paralelo. Carol chegou e com o semblante de quem pretendia ir embora começou a conversa.
-- Eu nunca fiz nada contra você Ana! Namorei o Mateus sem saber do caso de vocês. Sempre que estivemos juntas eu julguei serem sinceros e verdadeiros todos os momentos. Agora eu só fico me perguntando o porque. Por que você não me contou sobre o Mateus? Por que começou a se insinuar pro Cláudio? Você tem que me contar toda a verdade!
Ana permanecia imóvel e inabalável. Carol continuou:
-- Metade de tudo o que você fez e o que você é, agora faz sentido pra mim. Chega a ser surpreendente mas ainda é pouco. Eu não vou te pressionar a falar nada, mas tenho certeza de que se você está escondendo alguma coisa essa vai ser uma pressão e um peso que você carregará pro resto da vida. A sua chance de se livrar disso é agora.
Ana foi mudando de postura e se curvando para baixo a medida que Carol colocava sua visão de cima da situação. Ela não suportou e falou em um tom de desespero:
-- Eu transei com o Cláudio no dia que voltamos de Paris! Depois do que aconteceu eu preferiria que você não soubesse, mas aconteceu!
Uma lágrima caída do olho esquerdo de Carol dizia metade do que ela sentia, a outra metade ela mesma falou em um tom mais baixo:
-- Eu imaginei que isso pudesse ter acontecido. Não sei como você pode ser tão imatura e insensível. A forma como você julgou e agiu diante dos fatos foi de uma mediocridade incomparável. Realmente, boa índole e bom caráter são coisas que nascem com a gente e se fortalecem com o passar do tempo. Você não tem nenhuma delas e eu fico imaginado o quão vazia e sem perspectiva a sua vida deve ser por isso. Agora cada uma de nós vai seguir o seu caminho e eu não desejo o seu mal, mas a partir de hoje serei completamente indiferente a você.
Ana ficou sem palavras e sem saber o que fazer. Depois de assimilar o que aconteceu Carol balançou, e sem forças caiu sob todas as dificuldades. O mundo realmente parecia girar no sentido contrário ao que ela seguia. Se inicialmente ela só pensava em se acertar com Cláudio, agora era como se finalmente Ana tivesse conseguido acertá-la em cheio, estabelecendo um grande vazio dentro de si. Ao mesmo tempo que seus passos lentos deixavam para trás tudo o que aconteceu, suas lembranças traziam uma sensação de perda a sua vida e seus olhos perdidos demonstravam que seria difícil se recuperar daquela sequência de decepções. Se as estórias de amor sempre tem um final feliz, Carol começava a imaginar que a sua estória não havia tido amor suficiente e que felizes são aqueles que não colocam um fim nas suas estórias.

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... Tudo ia tornando-se cada vez mais claro para Mateus e mais obscuro para Ana. Carol ainda pairava nas nebulosidades daquela fase.

Aquela manhã de sábado colocaria em jogo e em risco todos os planos de Mateus. Ele sem dúvida estava disposto a arriscar, mas sem fazer qualquer tipo de jogo com Carol. Ao invés de pensar em arrumar uma desculpa para tudo o que aconteceu ele só pensava em dizer a verdade; isso lhe poupou a maior parte do tempo em que viveu aquela angústia. A última e decisiva parte seria compartilhada com Carol dali a alguns instantes. Em uma mesa de bar qualquer, a conversa começou e fluiu tão rápido quanto os copos de cerveja que se revezavam quase no mesmo ritmo das falas de cada um deles.
-- Como você tá Carol?
-- É difícil explicar o que sinto. É difícil lembrar tudo o que passou e imaginar tudo o que estava por vir. É difícil tentar me ver, e viver, livre de qualquer tipo de sonho. Isso já parece ser sonhar demais.
-- O que eu tenho pra te falar pode ser impactante em um primeiro momento, mas depois eu tenho certeza que vai te fazer sim voltar a se sentir viva. Lembra da época que a gente namorou?
Carol fez um leve sinal de positivo com a cabeça.
-- Então. Antes eu tinha terminado um namoro com a Ana. Resolvi não te falar porque tudo ainda era muito recente e a medida que ela se aproximou de você foi ficando mais difícil de te contar. Eu só quero que fique claro que eu só terminei por compaixão a ela e não porque não gostava mais de você.
-- Mas porque ela não me disse isso? – perguntou Carol.
-- Pra não deixar claro que ela só tinha se aproximado de você por minha causa.
-- Meu Deus!
Carol punha as mãos na cabeça enquanto tentava organizar os fatos.
-- Então foi por isso que ela algumas vezes olhava um pouco diferente pro Cláudio quando a gente tava em Paris. Será que ela se julgou enganada por mim e por isso queria se vingar? Mas espera aí...
Enquanto seus olhos voltavam-se para baixo ela levantou a questão mais importante do encontro.
-- Agora eu me lembrei. Antes de sair de carro na noite do acidente o Cláudio me pediu pra não considerar nada que a Ana me dissesse! Eu preciso falar com ela pra esclarecer tudo isso.
Alguns fatos começavam a se encaixar e ao mesmo tempo não faziam sentido nenhum que tivessem acontecido para Carol. Agora restavam apenas ela, Ana e entre as duas tudo que se passou até agora.

Download da estória até esse ponto

... Já Carol, apenas tentava absorver o que aconteceu sem saber que os outros dois aguardavam sua absolvição pelo o que poderia acontecer.

Os dias iam passando e com eles a oportunidade de Mateus conseguir se reaproximar definitivamente de Carol. Ele sabia que ainda lhe devia algumas explicações e como alguém que tenta arrumar um modo para pagar o que deve, ele começava a preparar um plano para contar toda a verdade. Era inevitável que Ana fizesse parte, e a sua parte nisso tudo. Antes de se preocupar com a forma como contaria a Carol ele se pré-ocupou em falar com Ana e esclarecer os fatos.
-- Alô. Ana?
-- Quem é?
-- Sou eu, Mateus.
-- Oi Mateus! Tudo bem?
-- Olha Ana, sinceramente eu prefiro ir direto ao assunto. Você sabe o que fez e as consequências que isso teve...
-- Eu não matei o Cláudio! – disse Ana receosa
-- Não estou dizendo isso. O fato é que agora você tem que contar toda a verdade pra Carol e deixar cair essa máscara que você sempre usou.
-- Máscara? Eu não vou contar nada e se você fizer isso eu digo a ela sobre o tempo em que a gente namorou. Coitadinha! Vai se sentir tão enganada...
-- Não precisa Ana. Isso eu mesmo vou fazer. Tenho certeza que vai ser só o primeiro momento das revelações. A diferença é que no meu caso ela vai entender que tudo o que fiz não foi porque eu não gostava mais dela, e sim por compaixão a você. Já no seu caso vai ser um pouco mais difícil encontrar algum sentimento nobre que justifique suas atitudes.
Mateus realmente fez a escolha certa ao pressionar Ana para que ela mesma revelasse todos os seus erros. A sua conversa com Carol serviria apenas como preparação para a segunda revelação. Tudo ia tornando-se cada vez mais claro para Mateus e mais obscuro para Ana. Carol ainda pairava nas nebulosidades daquela fase.

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... Mesmo indefeso, Mateus via a chance de esclarecer tudo com Carol. Apesar de estar em suas mãos, a verdade ia escorrendo-lhe pelos dedos, deixando-o ainda mais indeciso do que fazer.

12 de junho de 2007. A dor causada pela morte de Cláudio ecoava em Carol todas as noites antes dela dormir. Cada dia sucedido a tragédia precedia o encontro dela com novas sensações de perda. Era uma sucessão de lembranças positivas acumulando-se sobre um fato negativo e que ela queria esquecer. Seu ímpeto para conseguir o primeiro emprego diminuiu. As músicas antes ouvidas, agora eram apenas escutadas. Suas falas sempre bem construídas, agora faziam-se em pedaços sob curtas expressões. Seus olhos mal se sustentavam, não dando abertura para a esperança, nem servindo de base para novas perspectivas. Suas lágrimas começavam a secar o seu rosto e na naquele ritmo terminariam secando sua vida se algo não acontecesse.
Mateus continuava com o seu dilema de tentar aproximar as duas revelações que tinha pra fazer sem se afastar de Carol. Seus contatos com ela eram rápidos e usuais pessoalmente e um poucos mais prolongados por telefone. Ele sabia que Carol precisava de muitas pessoas a seu lado naquele momento e mesmo não sendo prioridade para ela, ele ainda continuava priorizando os seus planos para os dois.
Ana se colocava entre o choque da perda, o arrependimento pelo o que fez e a angústia da confissão. O acidente desencadeou essa sequencia de sentimentos que cada dia a deixava mais presa a situação. Nas últimas semanas falar com Carol tornou-se uma novidade tão grande quanto as que ela insistia em esconder.
O três cruzavam suas reflexões sobre os reflexos do acidente. Mateus sabia o segredo de Ana e guardava o seu de Carol. Ana tentava se afastar, mas a imagem dos últimos acontecimentos ainda era muito forte em seus olhos. Já Carol, apenas tentava absorver o que aconteceu sem saber que os outros dois aguardavam sua absolvição pelo o que poderia acontecer.

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... Um abraço apertado não deixou espaço para nenhuma dúvida de que após algum tempo afastado, agora Mateus voltaria a fazer parte da vida de Carol.

Mateus começou a namorar Carol pouco antes dela entrar na faculdade. Sabendo que o começo de um namoro tem muitos altos e baixos, ele considerava altamente irrelevante contar sobre seu passado à ela. Pouco tempo antes, ele havia terminado uma relação de mais de um ano com Ana. Coincidentemente o destino das duas se cruzou na faculdade, traçando um paralelo entre: “ex” e “atual”.
A hipótese de contar do seu relacionameto anterior para Carol crescia a medida que sua “ex” concretizava sua amizade com ela. Ao saber do namoro, Ana se aproximou de Carol de propósito e com os piores propósitos possíveis. Ela sempre teve um ciúme doentio e estava disposta a tentar qualquer coisa para ter Mateus de volta. O tempo foi passando e uma coisa simples foi tomando proporções cada vez maiores e mais complexas a medida em que Ana se aproximava mais de Carol. Mateus sentia-se pressionado e lhe impressionava o ponto em que Ana havia chegado. A pressão que ela exercia o impedia de contar a verdade. Carol não aceitaria continuar o namoro sabendo que a amiga ainda não tinha superado isso. Sabiamente, Ana não revelou tudo para não deixar claro o motivo de sua aproximação. Mateus não suportou a união dos pequenos motivos e terminou o namoro sem dar grandes explicações. Desde então, Ana não conseguiu esquecer o episódio, e fez de Carol protagonista e responsável por toda a fase difícil que passou. Sem aceitar as desculpas e nem encontrar culpados para o término do namoro, Carol seguiu em frente e perdeu contato com Mateus. Ironicamente, o encontro com Ana em Paris viria a ser indiretamente um reencontro com o seu passado com Mateus.
Para ter mais tempo de se envolver com Cláudio, Ana prolongou a resposta do pedido de casamento para não antecipar sua volta ao Brasil. Aqueles 3 meses eram o tempo que ela precisava para seduzi-lo e “dar o troco” em Carol (devolvendo à ela todos os seus ressentimentos). Carol foi considerada culpada sem saber do julgamento de Ana. Seguindo em frente com seus planos, o próximo passo de Ana era fazer Carol se defrontar com a traição de Cláudio e ver refletido tudo o que sentia quando a via com Mateus. Porém, depois dos rumores do acidente e da morte de Cláudio a situação mudou de rumo e Ana já não desejava mais que ela soubesse de tudo.
Depois de flagrar Ana e Cláudio no elevador, Mateus estava disposto a surpreendê-la revelando tudo a Carol. Porém, o fato de ter namorado Ana antes de Carol estava diretamente relacionado a traição, pois serviria de desculpa para Ana se defender. Mesmo indefeso, Mateus via a chance de esclarecer tudo com Carol. Apesar de estar em suas mãos, a verdade ia escorrendo-lhe pelos dedos, deixando-o ainda mais indeciso do que fazer.


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... A medida que o médico se aproximava, todos iam ficando cada vez mais próximos. A vida de Cláudio que há pouco estivera em suas mãos, agora se resumia a uma folha de papel composta por inícios ou fins.

Todos de mãos dadas se uniam demonstrando serem capazes de dar uma parte de suas próprias vidas pela de Cláudio. Ao todo, somava-se doze mãos dentre todos os que viviam ou sobreviviam a aquele momento. Com uma enorme discrição o médico se aproximou e descreveu os fatos.
-- Algumas vezes temos que lutar até o fim para conseguirmos alguma coisa. Outras vezes encontramos barreiras intransponíveis que determinam o final e nos impedem de seguir adiante. O Cláudio lutou até onde pôde, mas infelizmente veio a falecer hoje às 17:10 da tarde. Estejam certos de que fizemos tudo que foi possível e que estava ao nosso alcance.
As mãos se soltaram com uma certeza inversamente proporcional pela qual se juntaram. Aos prantos, Carol se abraçava e se segurava em sua mãe ao mesmo tempo. Não havia como manter-se estável naquele momento. Todos compartilhavam o mesmo sentimento de dor e perda inigualáveis a quaisquer outros. Para Carol, voltar para casa naquele dia significava não ter mais para onde ir, e ficar no hospital era como andar em círculos a espera de ter Cláudio de volta. Sem condições psicológicas para ir ao velório, seu último adeus seria dado no enterro, marcado para o dia seguinte às 10 da manhã.
A chuva fina daquela manhã de sexta, que ia molhando aos poucos o corpo de Carol, simbolizava bem como Cláudio havia conseguido entrar devagar na sua vida e de repente preencher grande parte dela. Como só se dá na ausência, a saudade ainda fazia-se ausente, visto que de corpo e alma Cláudio ainda estava presente na vida de Carol. No mesmo momento em que ela retirou sua mão do caixão, deixando sobre ele uma última flor, alguém colocou suas mãos sobre seus ombros, deixando sobre ele um apoio carinhoso.
-- Pode contar comigo Carol.
-- Mateus?!
-- Sinto muito pelo o que aconteceu, mas pode ter certeza que apesar deste tempo ausente, agora estarei sempre ao seu lado.
-- Obrigada.
Um abraço apertado não deixou espaço para nenhuma dúvida de que após algum tempo afastado, agora Mateus voltaria a fazer parte da vida de Carol.

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