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E se Carol não tivesse conhecido uma pessoa como o Mateus? E se Roma não tivesse uma virada de ano tão iluminada como a de Paris? E se em todos esses casos tudo o que aconteceu não foi por acaso? Questionamentos e dúvidas se fundiam e conduziam os pensamentos de Carol. Um sentimento de plenitude pairava no ar junto com a leve brisa da praia de Copacabana. Enquanto caminhava em direção a Ana, ela tentava imaginar quais rumos sua vida tomaria depois daquele encontro. Por que aquela brisa não se transformava logo em vento para carregar todos os maus sentimentos que Ana guardava consigo? A praia, as pessoas sorrindo no calçadão, o sol e o ceú azul eram o retrato de Carol que se constrastava com a imagem de Ana naquela tarde. Ao contrário de Carol, ela esperava apreensiva, sentada de pernas cruzadas como se estivesse em um mundo paralelo. Carol chegou e com o semblante de quem não iria embora antes de esclarecer tudo começou a conversa.
-- Eu nunca fiz nada contra você Ana! Namorei o Mateus sem saber do caso de vocês. Sempre que estivemos juntas eu julguei serem sinceros e verdadeiros todos os momentos. Agora eu só fico me perguntando o porque. Por que você não me contou sobre o Mateus? Porque começou a se insinuar pro Cláudio? Você tem que me contar toda a verdade!
Ana permanecia imóvel e inabalável. Carol continuou:
-- Metade de tudo o que você fez e o que você é agora faz sentido pra mim. Chega a ser surpreendente mas ainda é pouco. Eu não vou te pressionar a falar nada, mas tenho certeza de que se você está escondendo alguma coisa essa vai ser uma pressão e um peso que você carregará pro resto da vida. A sua chance de se livrar disso é agora.
Ana foi mudando de postura e se curvando para baixo a medida que Carol colocava sua visão de cima da situação. Ela não suportou e falou em um tom de desespero:
-- Eu transei com o Cláudio no dia que voltamos de Paris! Depois do que aconteceu eu preferiria que você não soubesse, mas aconteceu!
Uma lágrima caída do olho esquerdo de Carol dizia metade do que ela sentia, a outra metade ela mesma falou:
-- Eu imaginei que isso pudesse ter acontecido. Não sei como você pode ser tão imatura e insensível. A forma como você julgou e agiu diante dos fatos foi de uma mediocridade incomparável. Realmente, boa índole e bom caráter são coisas que nascem com a gente e se fortalecem com o passar do tempo. Você não tem nenhuma delas e eu fico imaginado o quão vazia e sem perspectiva a sua vida deve ser por isso. Agora cada uma de nós vai seguir o seu caminho e eu não desejo o seu mal, mas a partir de hoje serei completamente indiferente a você.
Ana ficou sem palavras e sem saber o que fazer. Depois de assimilar o que aconteceu, Carol balançou e mais forte prosseguiu sobre todas as dificuldades. O mundo realmente parecia ter se alinhado ao sentido que ela seguia. Se inicialmente ela só pensava em se acertar com Cláudio, agora era como se finalmente ela tivesse na direção certa depois de tirar Ana do seu caminho. Ao mesmo tempo que suas mágoas desapareciam tão rapidamente quanto seus passos acelerados, suas lembranças traziam uma sensação de ganho a sua vida e seus olhos tinham um brilho intenso que demonstravam o quanto ela havia aprendido com tudo o que aconteceu. Se as estórias de amor sempre tem um final feliz, Carol começava a imaginar o quanto sua estória a fez aumentar dentro de si o amor que pode sentir e no quanto seria feliz começando uma nova estória com Mateus.

“20 de dezembro de 2007. Me lembro do dia que conheci o Cláudio. Era uma tarde comum de sábado e uma de minhas amigas o apresentou. Não sei explicar muito bem, mas depois de um certo tempo, talvez por me conhecer melhor, criei uma capacidade de logo no primeiro encontro saber se aquela pessoa pode ou não se tornar especial pra mim. Com o Cláudio foi assim, sabia que podia dar certo; por isso não pensei duas vezes e segui minha intuição. Há alguns momentos na vida em que não podemos parar muito pra pensar; temos que fazer o que achamos correto com muita intensidade e pensamento positivo. Fiz isso e deu certo. Começamos a namorar como qualquer outro casal acreditando que o amor se dá nas semelhanças. O tempo foi passando e fomos descobrindo que as paixões se dão nas semelhanças e que na verdade o amor se dá nas diferenças e em como convivemos com elas. A viagem para Paris foi a mais especial que já fiz. Cheguei sim a ter medo de como seria e me perguntei várias vezes se não estava cedendo demais pelo Cláudio. Não estava, e mesmo que estivesse, aquilo significava uma mudança particular e mesmo que a viagem não desse certo eu já tinha acertado em começar a deixar aquele egoísmo um pouco de lado. Voltamos ao Brasil e ele acabou ficando com a Ana. Não tenho muito o que comentar sobre ela. Tudo o que tinha pra falar foi dito no nosso último encontro. Hoje vejo que por mais dispostos que estejamos a não ferir alguém, também temos que estar dispostos a perdoar esse alguém caso ele nos fira. Naquela época eu não estava disposta a perdoar o Cláudio e acabou não sendo preciso. Ele se foi e deixou em mim um vazio que se preenche um pouco a medida que eu escrevo esse texto. Agora percebo que talvez ele não fosse o homem da minha vida, mas enquanto estivemos juntos eu acreditei plenamente nisso. Aprendi que o equilíbrio é importante em qualquer situação e que se você chegar ao ponto de morrer de amor por alguém é bem capaz que um dia você seja morta por esse amor. Agora mantenho sempre a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Considero a reciprocidade umas das coisas mais importantes da relação e é nela que está baseada meu namoro com o Mateus (realmente é difícil explicar o quanto é fácil nos entendermos). Temos um ao outro sem excessos nem faltas e assim do nosso jeito vamos seguindo sem nos compararmos e nem servindo de comparação pra ninguém.”

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7 comentários:

Ricardo Guedes disse...

Muito, muito, muito bom... finalizou com sucesso a otima estoria q foi desde o comeco...
mostrou o desfecho de todos os fatos, a Carol descobrindo a "amiga" que tinha e a maturidade dela de saber perdoar e se postar indiferente, sem se vingar.. atitude nobre dela...

bom leo, como te disse, talento para isso voce tem.. agora, com a pratica na escrita e lendo mais, vc so ira se desenvolver e aprender.

nao pare apenas nesta estoria. descanse, de um tempo e parta para outras

abraco!!

.raphael. disse...

Belo final Léo. A carol só se engana quando diz que ao amor é feito em semelhanças, não, o amor é feito nas diferenças també, já que o amor é completo, portanto nas diferenças um completa o outro!

Outra coisa que diria à ela é que só descobriremos quem nós amoamos no final da vida, tudo que achamos que é amor dutante a vida chamo de paixão e depois de simples carinho, mas no final da vida veremos quem foi o amor vital!

Continue Léo.. não pare!

abraço

Lu disse...

Pôxa, Léo! Sem noção!! Perfeitooo o desenrolar dos fatos!!! Perfeito o diálogo entre as moças!!!
A capacidade de análise e julgamento da Carol foi imprescindível pro "fechar das cortinas".

"Hoje vejo que por mais dispostos que estejamos a não ferir alguém, também temos que estar dispostos a perdoar esse alguém caso ele nos fira." - Seria de estranhar se Carol assumisse outro comportamento, diferente desse, no final!

"Aprendi que o equilíbrio é importante em qualquer situação e que se você chegar ao ponto de morrer de amor por alguém é bem capaz que um dia você seja morta por esse amor." - Perfeito!!!! Vou colocar na minha coleção de citações. :)

"Considero a reciprocidade umas das coisas mais importantes da relação..." - Concordo, apesar de acreditar que um dia, talvez ainda muito distante, seremos capazes de AMAR sem exigir nada em troca. Amar por amar, pra sermos felizes. Sim, porque só assim o seremos de fato!

Terminou? Que pena!!

Parabéns Léo, de verdade!! Ótimo ter podido curtir essa estória, apesar de já ter entrado na metade. Fica com Deus!

PS: Quando ou se começar outra, avisa, please! :)
PPS: Não some não! :))

Bj!

Anônimo disse...

Léo!
Não quis discordar de vc não! Pelo contrário, achei demais essa colocação e essa maneira da Carol encarar as coisas. Sem pieguismo ou hipocrisia!
Não vejo outra forma de haver uma relação, atualmente, se esta não for tiver "mão dupla". Claro que tem que haver a reciprocidade de cuidado, carinho, atenção e etc...só não pode haver cobrança de tudo isso.
Sabe, tem uma música da Isabella Taviani, "contramão" o nome dela. Tem um trecho que diz: "mesmo a ilusão de amor me faz feliz". Nossa, disso sim eu discordo completamente!!! Bom, mas isso é só filosofia. =P
Desculpa se não me fiz entender. Mais uma vez não foi uma crítica, quer dizer, até foi... Mas, POSITIVA!! =)))

Beijo.

Lu disse...

Ops.. cliquei errado. Comentário acima é meu!! :)))

Si disse...

Leo, que grande final. As palavras de Carol para Ana soaram como uma libertação, como se, enfim, ele se soltasse do passado e pudesse continuar seu caminho (com ou sem Matheus, mas ainda bem que foi com).
E a carta? Quanta consistência! Cada palavra flui harmonicamente.

Perfeito, Leo.

Agora, esclareça-me uma coisa: tudo já estava na sua cabeça ou a história foi surgindo aos poucos com o desenrolar dos fatos?

Bem... Aproveito o espaço, para desejar um Feliz Natal.
Tudo de bom, meu lindo.

Beijos.

Robertinho disse...

Léo!! Cheguei atrasado pro final, hehehe! Ficou mto show!

Achei mto legal esses 2 posts, com 2 visões diferentes, um mais otimista que a outra. Algo fundamental pra sua vida ter um rumo sempre melhor, sempre tentando ver as coisas de um jeito positivo, né?

"...seus olhos tinham um brilho intenso que demonstravam o quanto ela havia aprendido com tudo o que aconteceu".

Fica aquele gostinho de "quero mais" como de costume, hehe... Parabéns pela estória, ficou mto mto mto boa mesmo!!! =)

Grande abraço! Feliz Natal!

Robertinhoooo