Estou viciado, dependente da nossa química, buscando constantemente nossos momentos inigualáveis que as vezes terminam em overdose. Tudo isso porque um dia resolvi experimentar e depois daquela experiência não consegui mais me livrar. Sim, eu achei que tivesse tudo nas mãos, que tivesse você em minhas mãos, sob controle. Mas o fato é que acontece o oposto, você me tem nas mãos e eu estou descontrolado. Mesmo assim não consigo admitir. Nego a todos que isso tem me dominado; mantenho o discurso de que posso sair quando quiser e que se ainda não estou limpo é porque não quero. Mentira. Perdi as contas das vezes que pensei ter me livrado de você, mas tive recaídas e depois delas parecia que o mundo caía sobre mim. Todos os meus amigos e parentes dizendo as mesmas coisas, dando os mesmos conselhos. É obvio que eu tenho que colocar um fim nisso tudo. O que não parece óbvio é a forma como devo fazer. Já tentei me distanciar totalmente, te ter em doses homeopáticas, deixa-la aos poucos. Mas como posso deixar alguém que me faz tão bem ainda que ao mesmo tempo me cause tantos danos?

Acabamos de nos encontrar e sinceramente não sei se estou lúcido o suficiente pra refletir sobre a situação. Parece fato que com você eu tenho uma baixa expectativa e um alto grau de prazer, e sem você, tenho uma alta expectativa e um baixo grau de prazer. O que é melhor? Queimar tudo de uma vez em um fogo bem forte ou manter a chama deixando-a se apagar aos poucos? Nesse instante o melhor a fazer é te escutar, mesmo sabendo que em outros momentos todos os seus conselhos giravam em torno de vivermos inconsequentemente. Porém, agora as coisas mudaram e eu estou certo de que você vai tentar me convencer que isso tem tratamento. Que eu posso me reabilitar e voltar a ter uma vida normal. Que o que eu preciso é ficar longe de você em abstinência. Que todo esse prazer e adrenalina estão só na minha cabeça e que eu estou doente. Doente emocionalmente.

3 comentários:

Atriz disse...

"Mas como posso deixar alguém que me faz tão bem ainda que ao mesmo tempo me cause tantos danos?"

é a pergunta que não quer calar, pra mim tbm,,,meu caso acredito ser mais complicado que o seu,,,,


a fase da abstinência é a pior. e nao passa!!!!

bj, Gisele

Kiara Guedes disse...

Adoro te ler... viciante sao mesmo as palavras, essas assim, que chegam quase do nada...
Bjs

Alle Nascimento disse...

queimar tudo de uma só vez... (melhor ter a intensidade de uma vez só, do q a mornalidade prolongada até esfriar....)


sorte!