Havia dois caminhos a seguir. Para alguns, mais do que isso. Nós escolhemos então seguir a nossa intuição e ela nos trouxe até aqui para que vivêssemos momentos memoráveis. Afim de resgatar essas memórias, gostaria que vocês se lembrassem do primeiro dia de aula: éram tantas incertezas... Onde fica a sala 06? Devo ir para a esquerda ou para a direita? Eu estou no caminho certo? Este é realmente o curso certo? O curso que nossas vidas iria tomar estava começando a ser traçado; ainda com linhas esboçadas, que alguns preferiram apagar, mas nós formandos, que hoje estamos aqui, somos aqueles que acreditaram naquilo que ainda era um esboço, que enxergaram na imprecisão daqueles traços, algo imprescindível para alguém que acabou de entrar na Universidade: esperança. Esperança que os professores pudessem nos compreender e se fazer compreendidos. Que os colegas, um pouco duvidosos no começo, viessem a se tornar grandes amigos. Que nossos Pais, pudessem estar sempre de braços abertos quando algumas portas do mercado de trabalho insistissem em não abrir. Esperança de que Deus estivesse ao nosso lado quando decidimos começar a traçar aquela linha: a linha dos nossos destinos.

E assim começava a nossa jornada. Nós éramos tão jovens (e nós ainda somos tão jovens!) que ficava me perguntando quem nos conduziria por aquele novo caminho? Quem se disporia a resolver uma equação com tantas variáveis? Somente alguém que já percorreu grande parte dele, alguém que aprendeu e em um gesto muito nobre se dispos a ensinar poderia nos dar a mão naquele momento: os Professores.  Ah, os Professores... Eles são tão diferentes uns dos outros... Mas nós também somos muito diferentes uns dos outros! E estas, as diferenças, foram mais uma variável da equação que eles nos ajudaram a resolver. Já não tratávamos então do resultado da subtração entre dois números, mas sim do resultado da divisão de pessoas em vários grupos. E conduzir pessoas é tão difícil... Foi uma prova aplicada por nós ao Dantas,  ao Ítalo, o Julio, o Satoshi, a Renata e todos os outros... Foi realmente uma prova. Uma prova de amor que eles demonstraram sentir por cada um de nós nesses 4 anos.

Naquele momento éramos nós e os professores de mãos dadas. Mas ainda faltava algo, faltava alguém para segurar a outra mão. A quem recorreríamos? Fora daqui, tínhamos nossos amigos de infância, mas que escolheram outros caminhos. Precisávamos de um novo melhor amigo e sabíamos que uma grande amizade não poderia simplesmente ser criada, ela teria que ser construída: e ela foi. Ela começou a ser construída quando logo nos primeiros meses imprimíamos trabalhos e um pouco da nossa personalidade em cada um deles. Aos poucos nossa sintonia se multiplicava proporcionalmente ao número de xerox que tirávamos juntos. Uma cópia: como eu queria tirar uma cópia de você para conseguir entregar todos aqueles trabalhos. Não foi possível e nem preciso. Você naturalmente se desdobrou quando em alguns momentos eu me reduzi a metade. Você fez isso por mim, fez isso por nós, fez disso tudo um grande relicário onde estão guardados aqueles momentos em que estudávamos para as provas de Finanças e você teve paciência para voltar e me explicar aquilo que já sabia. Outras vezes fui eu quem tive que voltar e explicar aquilo que você não sabia. O fato é que sempre esperamos um pelo outro. Nunca deixamos de seguir juntos e de compartilhar tudo o que sabíamos e tudo o que sentíamos. Choramos um pelo outro, choramos um para outro. E agora... agora sorrimos um pelo outro, sorrimos um para o outro com a certeza de que vamos levar daqui esta grande amizade que que há 4 anos começava a ser construída.

A PUC nos deu condições para que em alguns anos ocupemos uma posição de destaque na sociedade. Além de grandes profissionais, nós poderemos também estar ali, sentados, como grandes professores Universitários, se assim desejarmos. Agora eu pergunto a vocês, formandos: Qual é a maior posição de destaque desta noite? Qual o lugar mais importante poderíamos estar nesse momento? ... No lugar de nossos Pais. Eles sempre serão os professores que nos ensinaram e nos ensinam a viver, os amigos inseparáveis de toda a vida e aqueles que nos colocam mais próximos de Deus. Um dia nós ocuparemos esta posição e só então conseguiremos entender o quanto vocês lutaram para que estivéssemos aqui. Nos momentos mais difíceis, quando tudo parecida perdido, sempre encontramos as suas palavras amigas que, como mágica, fizeram tudo voltar a ter sentido. Esta jornada que iniciamos, este caminho que trilhamos se parecem muito com o caminho de volta para casa e só é assim, porque nós temos vocês, todos os dias jogando flores em cada pedaço de chão que percorremos. Pai, Mãe. Algumas vezes eu posso não ter deixado isso muito claro, mas vocês representam a melhor parte que eu tenho dentro de mim. Eu não poderia viver sem a presença de vocês. Eu não saberia o que significa amar alguém, se antes não tivesse sido amada por vocês. Eu não reconheceria o valor de um perdão, se tantas vezes não tivesse sido perdoada. Enfim, eu não seria quem eu sou e não estaria onde estou, se não tivesse uma profunda admiração por quem vocês são e por onde vocês conseguiram chegar.

Finalmente, olhando para todos vocês: Pais, amigos, professores e me lembrando do começo de tudo, da esperança que tinha de que Deus estivesse ao nosso lado, eu posso dizer com toda certeza: sim, ele estava. Vamos então seguir em frente sem nos esquecer que
com aquele diploma em mãos a nossa maior honra e o nosso maior mérito será conseguir preservar tudo o que vivemos através das nossas memórias. Por isso meus amigos, não deixem que elas se percam. Se conseguirem, podem ter certeza que daqui a 10, 20 ou 30 anos o tempo sempre irá parar para que voltemos a este mesmo lugar.

Muito obrigado e uma ótima noite a todos!

0 comentários: