Hoje eu acordei com a nossa música. O despertador tocou e o que era pra ser um som aleatório acabou me fazendo lembrar de você. A música parou. Você desapareceu.
Levantei, dei alguns passos, abri a porta do banheiro, peguei a escova de dente e lá estava você entre as cerdas macias que deslizavam pela minha boca e também me faziam sentir a sua. Enxaguei. Você desapareceu.
Mais alguns passos e cheguei na cozinha. 500ml de água trouxeram a minha mente os exatos 500 dias que passamos juntos. Cada gole equivalia a 5 dias e de 5 em 5 goles senti novamente toda a vitalidade que aqueles dias trouxeram ao meu corpo. Garrafa vazia, você desapareceu.
De volta ao quarto, hora de me arrumar para o trabalho. Cada peça de roupa separada por cor trouxe você à minha mente. Me perguntei como uma pessoa tão organizada em seus hábitos poderia desorganizar tanto a vida de alguém? Roupa trocada. Você desapareceu.
Caminhei até o carro. Era um dia de chuva e você também estava nela. Uma gota para cada lágrima que derramei por nós dois. A chuva parou. Você desapareceu.
Cheguei no trabalho. Passei o crachá. A catraca girou e na minha mente o mundo que criamos para nós dois também. Olhei para trás. A catraca parou de girar e nossa mundo também. Você desapareceu.
Passei o resto do dia tentando me concentrar no que fazia mas tudo trazia você à minha mente. Você estava no brilho da tela do meu notebook, nas cores da comida que colocava no prato, no vento que hora suave e hora intenso alcançava o meu rosto e em tudo que podia e não podia me tocar física e emocionalmente.
Voltei pra casa. Hora de dormir. Deitei, encostei no travesseiro e refleti sobre o meu dia. Entendi que você ainda estava muito presente na minha cabeça, mas só na minha cabeça. Não mais no coração. Dormi em paz.

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