Tenho a sensação de que quando começamos a trabalhar e definitivamente fazer parte da geração do presente, também começamos a deixar algumas coisas pelo caminho. Coisas que não poderiam ser deixadas porque a medida em que seguimos em frente elas vão se perdendo e se um dia tentamos recuperá-las já não sabemos bem como eram e por isso não as reencontramos mais.
Comecei a me perguntar onde estava aquele que prometeu ser simples e se sentir descalço e sem camisa mesmo debaixo de um terno e uma gravata? Aquele que buscaria manter a afeição para que seu bom dia não se tornasse mais automático do que o portão da garagem? Aquele que jurou nunca pensar demais para não perder a espontaneidade? Onde estava? Talvez estivesse perdido no meio da visão exponencial e distorcida do sucesso. Aquela mesma que te faz querer dobrar a cada dia mesmo que para isso você tenha que se reduzir à metade. E foi seguindo essa linha que eu concluí que a minha vida não seria tão promissora quanto minha carreira e hoje sou muito bem sucedido com o desemprego que conquistei.