domingo, 29 de novembro de 2009
A paixão
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A moranguinho
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Singelo
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Esperança
Volta, porque o caminho que agora você segue é o mesmo que eu estou seguindo e que se torna muito mais bonito quando estamos de mãos dadas. Volta, porque sem você eu ainda sou aquele dominado pela insegurança, que não sabe medir a quantidade de água que se deve colocar no arroz e nem o número de vezes que se deve dizer “eu te amo” pra alguém em uma semana. Volta, porque eu preciso do seu equilíbrio, porque eu não aguento mais tentar me equilibrar nessa linha de tempo que se criou depois da nossa separação. Volta, porque quanto mais o tempo passa mais eu sinto sua falta e isso tem gerado uma lacuna enorme entre a gente, um abismo que eu temo um dia se tornar maior do que o nosso amor. Por favor, volta, pelo amor de Deus, pelo nome de Deus que eu levo em vão, por todas as coisas erradas que eu fiz e me arrependi, pela lágrima que eu não deixei cair quando terminei com você e que agora cai em contradição a aquele momento. Volta, porque foi por você que eu mudei meu número pra ficar mais fácil nos falarmos e foi também por você que eu parei de falar tanto e comecei a ouvir. Com você eu não precisava mais das luzes do palco voltadas só pra mim. E agora, ironicamente no escuro, tento em vão te escrever sobre uma vida que já está toda resumida naquela página que você virou. Então volta, volta essa página, porque eu preciso continuar de onde parei.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
O sucesso
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Separação
Em relação à comunhão parcial, você fica com a casa e eu com o sonho de construir uma família. O carro é seu, mas todas as lembranças das viagens ficam comigo. Não faço questão da casa na praia, mas fico com as amizades que fizemos nas férias. E por último, em relação à comunhão total, te agradeço por deixar em mim grande parte do que você sempre foi.
domingo, 3 de maio de 2009
Sinais
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Ânsia
terça-feira, 7 de abril de 2009
Cotidiano
Ontem foi a sua vez de fazer o almoço. Somente o meu copo de suco estava gelado, havia espaço somente para um copo no congelador e somente você poderia ter lembrado de usar esse espaço. Por essas atitudes, que agora você ocupa um lugar onde já não há espaço pra mais ninguém.
Ontem foi a sua vez de decidir qual canal assistir. Dentre tantas opções que te interessavam, ao perceber que eu tinha algumas coisas pra falar, você escolheu tirar o som pra gente conversar. Minha única e desconcertada opção foi encurtar e minimizar a conversa.
Ontem foi a sua vez de escolher qual música ouviríamos. Foi único o momento em que você me entregou aquele cd dizendo que o gravou pra mim, que as duas últimas músicas eram instrumentais e que com alguma sorte a esta altura eu já estaria dormindo.
Além de preparar o café, o almoço, decidir qual canal assistir e qual música ouvir, hoje será a minha vez de usar tudo isso como pretexto para deixar os meus gestos, os meus pequenos gestos te dizerem que também te amo.
domingo, 8 de março de 2009
Perto demais
Antes de bater a porta e me chamar de filho da puta, você disse que eu parecia ter o dom de enganar a todo mundo. Fiquei surpreso, pois quando falei que não ia mais cozinhar pra você, é porque já tinha decidido rasgar o seu livro de receitas. Quando te disse que você me sufocava e que eu precisava de mais espaço, eu já tinha mesmo decidido me desfazer da nossa cama de casal. Andava pelo apartamento tentando descobrir o que significava ter o dom de enganar a todo mundo.
Um mês se passou e agora enquanto colo os últimos pedaços do seu livro de receitas, fico te olhando dormir e tentando me convencer que essa cama de solteiro tem espaço suficiente pra nós dois. Definitivamente eu não esperava que aquele “todo mundo”, do dom de enganar a todo mundo, também incluísse a mim mesmo.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Antes de partir
-- Agora para e pensa.
-- Sim.
-- Só eu sei calcular exatamente a hora que você vai começar a ter sono.
-- Sim.
-- Só eu sempre vou me dispor a levantar e encontrar um cardápio pra depois passar 5 minutos te olhando e fingindo que seu suco não vai ser de morango.
-- Sim.
-- Só eu poderia passar horas aqui citando mil coisas românticas e me contentando apenas com um “Sim” como resposta.
-- Sim.
-- Só eu aceito viver essas nossas histórias de amor, sem amor.
-- Sim.
-- E continuo não dando a mínima pro fato da gente não ser apaixonado um pelo outro.
-- Sim.
-- Enfim, só eu posso ser o homem da sua vida.
-- Não sei.
-- Tá, eu admito, só eu posso ser o homem e a mulher da sua vida ao mesmo tempo.
-- Hmmm, interessante.
-- Promíscua.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Romantismo pós-moderno
Sexo tem que ser com amor, pois depois que o sexo acaba, o que sobra é o amor. E se não existe amor, aquilo tudo se torna um vazio muito grande. Duas pessoas deitadas lado a lado sem nada em comum entre elas. Sem nada que as conecte. Agora, se mesmo assim você ainda quiser transar comigo, tudo bem, vamos em frente. Só não vai ficar esperando que eu te ligue no dia seguinte.
Capítulo V
A gente acabou subindo pro terraço do prédio, ela ainda um pouco bêbada e eu sob o efeito de tudo que tinha passado. Sentamos no parapeito e passamos uns 10 minutos sem dizer nada. Aquele vento nos impedia de abrir bem os olhos e eles acabavam sempre voltando-se para baixo, onde os carros se enfileiravam.
-- Você quer realmente tentar descobrir o que aconteceu semana passada? – ela disse
-- Na verdade não. Só quero tentar descobrir como você pôde me trair?
-- Não tenho mais tanta certeza sobre a gente. Não sei se é isso que eu realmente quero pra mim.
- Percebi isso há um tempo. As vezes tinha a impressão que você só me beijava da boca pra fora. Você sempre foi assim, nunca se dedicou completamente, nunca esteve disposta a viver isso incondicionalmente. Porque você não pula?
-- Eu já pulei. O problema é que as vezes não consigo distinguir se eu to voando ou se eu to caindo.
-- Tá. Então continuamos ou paramos por aqui?
-- Paramos. E continuamos por aqui.
FIM
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Capítulo IV
Uma semana se passou e eu comecei a receber alguns telefonemas de amigos da faculdade querendo saber se havia acontecido alguma coisa. Claro que as respostas eram sempre as mesmas e já estavam ensaiadas há algum tempo. Cada vez que ouvia o telefone tocar imaginava que poderia ser a Flá pra me dizer algo que mudasse completamente nossa situação. Sempre quis ter a iniciativa de ligar pra ela mas não me sentia preparado psicologicamente e ainda tinha um pouco de medo. Em contrapartida, aquela semana longe de tudo acabou me revigorando e eu percebi que não precisaria de muito mais tempo isolado do mundo pra conseguir voltar a ter uma vida normal. O prazer de viver coisas simples parecia ter retornado e isso me motivava a seguir, sempre em frente. Estava saindo pra comprar uma bebida quando ironicamente me vi frente a frente com a única pessoa que poderia mudar meus planos de não olhar pra trás. A Flá parecia muito deprimida e tava com uma cara de quem tomou um porre por tristeza e não por alegria. Os vícios costumam agir dessa forma. Se você sempre recorre a uma mesma coisa em momentos completamente diferentes pode ter certeza de que está viciado. Ela sempre me dizia isso. Desta vez estava na cara que a bebida estava ligada a tristeza e eu precisava ouvi-la.
-- Estou muito preocupada com você. Da última vez que a gente se viu você parecia transtornado e começou a dizer algumas coisas sem sentido.
-- Como coisas sem sentido Flá?
-- Não sei. Logo que eu entrei no apartamento você repetiu umas três vezes: “Talvez você tenha razão. Mal intencionado sou eu por querer manter uma relação com você.”. Eu entendo que me ver com outra pessoa não deve ter sido fácil, mas você parecia fora de si. Tive muito medo e acabei indo embora sem dizer nada.
-- Não, não faz sentido! Isso não aconteceu. Essa frase só saiu da minha cabeça e foi pro papel. Eu não te disse tudo isso.
Quais eram as respostas? As únicas coisas reais na situação pareciam apenas ter sido a traição e os diálogos. Quanto a traição me parecia evidente que tinha servido como gatilho para disparar todos os transtornos que eu passei, mas e os diálogos? Eu precisava saber o que era verdade, o que eu imaginei e o que eu ainda imaginava ser verdade. E nisso a Flá podia me ajudar.
-- E a ligação que eu te fiz? Você terminou tudo comigo por telefone Flá!
-- Ligação? Depois daquele dia a gente não se falou mais. Achei que você precisava de um tempo sozinho pra lidar com a situação.
Não! Aquilo tudo não podia estar acontecendo! Ou melhor, algumas coisas deviam ter acontencido e agora ela estava negando tudo. Eu precisava encontrar algo que me fizesse acreditar que nem tudo estava perdido. Que me desse novamente esperanças de que eu não estava completamente paranóico. Comecei a abrir todas as gavetas e procurar por todos os papéis espalhados pela casa. A cada folha encontrada passava dois segundos lendo seu conteúdo e depois disso a jogava no chão. Isso tudo durou uns 10 minutos até que dentro de um caderno antigo eu encontrei as folhas com o início da estória. Os diálogos estavam lá! A Flá os pegou rapidamente da minha mão.
-- Olha aqui! “Talvez você tenha razão. Mal intencionado sou eu por querer manter uma relação com você”. Você terminou o diálogo assim! Isso parece ser uma espécie de roteiro de como você imaginava que seria nossa conversa. Meu Deus!
-- E o segundo diálogo? – perguntei assustado
-- Ele não existiu! Tanto como Cá quanto como Flá essa conversa nunca aconteceu. Eu não te disse nem que terminaria nem que continuaria com você. Depois que eu sai do ap naquele dia a gente não se falou mais... Rafa.
-- Oi.
-- Você precisa de ajuda.
Não sabia mais o que pensar daquilo tudo. Todas as vagas lembranças que eu tinha não aconteceram ou só aconteceram na minha cabeça. A única certeza que eu tinha era de que houve a traição e que depois disso tudo ficou muito mais estranho do que eu imaginava. Já tinha ouvido falar em stress pós traumático mas não imaginava que poderia viver alguma coisa do tipo. Segurei muito forte a mão da Flá e em seguida a gente se abraçou longamente. Tive a sensação de que ela estaria do meu lado e me apoiaria na tentativa de descobrir exatamente tudo o que tinha acontecido naquela semana.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Capítulo III
Meu mundo agora se dividia em duas vertentes: dentro de casa, triste e depressivo, fora dela, em pânico e com medo. Eu sabia que precisava de ajuda mas depois de tudo o que aconteceu com a Flá estava totalmente descrente que alguém pudesse me fazer enxergar alguma saída para aquilo tudo. Era manhã de terça feira e infelizmente os últimos comprimidos que eu tomava pra dormir tinham acabado e agora não tinha mais jeito, eu ia ter que fazer o que mais odiava nos últimos dias: sair de casa. Desci pela escada pra não correr nenhum risco de encontrar algum “quase estranho” no elevador (já que todos que moram no mesmo prédio nunca são estranhos por completo, ou fingem não ser). Fazia muito sol e a rua estava bastante movimentada. Ter que redobrar minha atenção pra atravessar a avenida não foi difícil já que me preocupar com tudo ao meu redor era o que eu mais tinha feito naqueles últimos dias. Poucos metros antes de chegar a farmácia fui surpreendido por uma mulher que aparentava ter uns 30 anos, cabelo bem preto, um envelope na mão e um vestido verde que me chamou bastante atenção.
-- Oi. Você pode me dar uma informação?
Ela ignorou a minha cara de assustado, provavelmente por julgar isso natural naquela situação, e continuou.
-- Estou procurando o tribunal de justiça. Acabei de descer do ônibus e sei que deve ficar aqui perto.
Por sorte ficava bem ao lado do meu prédio e eu até sabia o número.
-- Fica descendo aquela rua. É número 1937.
-- Ahh. Isso mesmo que eu tenho anotado aqui. Dezenove, três sete. Muito obrigado, prazer Júlia!
Fiz um sinal de positivo com a cabeça e segui em frente. Fiquei imaginando o que tinha dentro daquele envelope. Só esperava que não fosse nada escrito a próprio punho pois depois dela se despedir com um “obrigado” e não “obrigada” fiquei com medo de que ela tivesse de refazer o documento por causa de algum erro gramatical. O mau humor já estava me dominando e só não foi maior pelo fato do farmacêutico não pedir uma receita pra me vender o remédio (nem me lembrava onde estava a última). Na hora de pagar, enquanto o atendente contava o dinheiro, fiquei tentando decifrar o seu olhar de estranheza pra mim. Concluí que devia ter sido por causa do número de moedas (na verdade o olhar poderia nem ter existido e se existiu não foi por esse motivo). Voltei pro apartamento e minha cabeça parecia pesar o dobro do meu corpo. Só me lembro de ter deitado na cama, ouvido um zunido muito forte e ter a sensação de que morreria por causa de um aneurisma ou algo do tipo. Três horas depois, acordei e já não lembrava muito bem do que tinha acontecido pouco tempo antes quando eu tinha saído pra ir a farmácia. Vivia em um mundo paralelo onde o tempo não regia o meu dia. Podia dormir a hora que quisesse, comer a hora que quisesse ou assistir tv a hora que quisesse, porém não tinha vontade de fazer qualquer uma dessas coisas. No meu ap não batia muito sol e normalmente eu tinha que sempre acender as luzes, mesmo de dia. Mas naquele dia isso contava a favor e quanto mais escuro melhor eu me sentia. Não fazia idéia das horas. Enquanto meu olhar vagava pelo quarto enxerguei metade de uma folha de caderno que tinha usado pra escrever o último diálogo da estória. Reagi da mesma forma que reagia a qualquer outra coisa: com indiferença. Não queria mais escrever livro algum, não tinha motivo e muito menos motivação pra continuar com aquilo. Meus olhos se encheram de lágrimas quando percebi que não tinha mais perspectiva de nada. Foi nesse instante que o telefone tocou.
-- Boa tarde, aqui quem fala é Júlia da central de departamento de marketing..
Antes que ela terminasse me lembrei vagamente de ter conversado com alguma Júlia umas horas atrás
-- Júlia! A gente se conheceu há pouco tempo aqui na rua, perto de casa.
-- Olha Senhor, deve estar havendo algum engano.
-- Não precisa me chamar de Senhor horas..
-- O seu telefone é 3232-1937?
Quando ela disse dezenove três sete tudo ficou muito claro pra mim. Era a mulher que eu tinha encontrado na rua mesmo e eu havia dado meu telefone pra ela.
-- Isso mesmo! 1937.. O número que eu te dei quando a gente se encontrou na rua.
